Na volta da colenda Casa, um colega de firma sugere a venda do voto. "Só pra ter o gosto de dar o bote depois no sujeito? Ah, vendia". Segundo grau completo, pouco mais de um salário mínimo nas costas e uma lista de proibições pra seguir, ele passa pela lombada da rua e se diverte com a histeria passageira. "O negócio é papar a viuvinha que tá dando mole e correr pro abraço, ela tem grana". Logo o pensamento da venda forjada do voto vira poeira no asfalto que entorpece, ainda que frio. Superior completo.
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Nas ruas de Londrina, me falta a criatividade. Logo o pensamento se vê naquele ponto-cego inconfundível do horizonte neutro, interrompido, como ontem, pela lua crescente tão sedutora.
Enquanto isso as pessoas andam curiosas pra saber quem será o novo prefeito, quem vai depor ou ser preso amanhã, quem é laranja de fulano ou fala abobrinhas de sicrano, a mando de beltrano. Pois é. Eu só espero pela próxima lombada no asfalto frio.
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As últimas entrevistas daquele pai cujo filho foi vítima da selvageria humana, no Rio, chocam e dão um nó de impotência na garganta. Não pelo caos que se tornaram a segurança pública e as instituições (algumas muito mais bandidas e organizadas do que caóticas, é verdade), mas exatamente por saber que um ser humano sentirá pra sempre os efeitos de uma ação que, sinceramente, não se teria nem contra um animal. Pensar naquele pai guardando o dinheiro pra festinha de aniversário do filho e agora tendo que consolar a si e à esposa, depois do funeral, chega a me dar uma sensação de vergonha. Que é o asfalto frio perto disso, não? Pedrinha.
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random: Up the spout - Mateo Messina
Publicado em 10 de julho de 2008 às 00:44 por janaina