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05/05: "a realidade é que..."

Olhou nos olhos da amiga, sentiu aquela dor como sua e derramou a lágrima sincera. Então ela percebeu que, se morre com dor, de uma forma, o amor renasce devagar, mas sólido, de outras maneiras, em outros lugares.

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Lições difíceis de aprender: desacreditar na palavra humana (isto me disseram no sábado, ainda que paliativamente) e também na impossibilidade da dor maior que a de perder alguém pra eternidade. Quando minha avó se foi, há 10 anos, achei que nunca mais o coração sentiria um baque desses; que a vida nunca seria tão forçosa pra existir como o foi, ali. A perda em vida é um ciclo que se repete. Eu, que trabalho com a palavra, tenho que me acostumar a não depositar nela o peso que ela demonstra, as máscaras que ela veste. Eu, que vivo de sentimento, tenho que me desacostumar daquele que de mais bonito eu tive dentro de mim.

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random: As Ilhas dos Açores


07/04: o título é intransitivo

Ouvi pessoas hoje na Expo (ou Expô, como adoram dizer por aqui) que vão ao parque "fazer higiene mental". Fisiculturista, vendedor, gente cabeka, famílias vindas de outros estados só pra ver aquela boizada toda, aquelas máquinas de seis dígitos e mais um monte de coisa em que me dá preguiça só de pensar.

Nem assim. Nem trabalhando.
Nem escrevendo.
Isso não passa.

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random: My Bloody Valentine - Sometimes

24/03:

Condições do tempo

A semana inicia com temperaturas mais baixas no Sul do Brasil. Uma massa de ar frio e seco permanece no setor e favorece para que as temperaturas fiquem mais amenas, especialmente no final do dia. À tarde, o sol predomina em grande parte do Paraná, e as temperaturas ainda se mantêm um pouco mais elevadas no interior. Apenas na faixa leste as nuvens continuam persistentes, em resposta ao vento que sopra do quadrante sudeste e transporta umidade do oceano ao continente. Neste setor, as temperaturas apresentam pouca variação diurna, e chuvas com intensidade leve a moderada podem ocorrer a qualquer hora do dia.
Fonte: Simepar

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No outono os dias começam a amanhecer mais tarde - depois das 6h32, conforme o que acompanho pela fonte acima -, mas também levam embora os raios do sol mais cedo. Gosto da primavera.

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random:Trying Your Luck - The Strokes

07/01: planozinhos


Folheando ontem o jornal, li uma matéria sobre as resoluções de ano novo que se revelam verdadeiros fracassos. Acompanhava o texto um info com pelo menos 10 promessas, as falhas na tática usualmente adotada e o 'how to do' pra que tudo dê certo, enfim. No final, a dica de um psicólogo norte-americano: fazer apenas uma promessa - realista, não fantasiosa -, não contá-la a ninguém e, em caso de falha, é proibido aceitar a desistência. Basta "começar de novo", encerra o conselho. Simples, não? Só esqueceram de dizer que é um ser humano que terá de processar tanta simplicidade.

No plantão da véspera, tinha ido à casa de dois aposentados que haviam acabado de morrer em um acidente automobilístico terrível, terrível. Ele acabara de completar anos; ela o faria mês que vem. Buscavam as águas quentes de Goiás a cada seis meses, mas, nessa última, ficaram no início do caminho. Planos realistas, desistência involuntária. E aí?

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Na feira, as duas moças zombam do menino tímido que as atende, na barraca do pastel. Barraca da "Vitamina S", diria uma amiga. Elas riem do garoto; perguntam se ele tem sono ou fome pra estar "tão caidinho". Em seguida, diagnosticam: "Toma uma fluoxetinazinha, pra dar uma (faz gesto) levantada. Acorda, cara!" Em volta da panela cheia de óleo, os colegas colaboram com as duas simpatias e avacalham mais um pouco. Afinal, o cliente sempre tem razão, né, gente?

Poderia elencar a cena entre as zilhares que me enchem de vergonha alheia, ou, antes, ser bem mal-educada e receitar uma pilulazinha pras duas mulherzinhas. Desisti. Plano fantasioso, desistência voluntária? Quem sabe também precise, eu, acordar.

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Faltam 28 dias, 13 horas e 20 minutos.

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random: We All Have Hooks For Hands - Hold On, C'mon

04/01: epílogo


Hoje começa minha contagem regressiva - finalmente.
Alívio ou medo? Só vou saber depois de um mês.
O curioso é que, pra mim, parece que o ano vai começar mesmo é depois dessa etapa. Nada de Natal nem Réveillon, muito menos (contrariando a lógica nacional) Carnaval; 2008 tem que ser diferente a partir de março.

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Talvez de março em diante eu entenda por que raios os vendedores no comércio, questionados sobre a disponibilidade de determinada mercadoria, preferem dizer que "acabou de vender a última peça", ao invés de admitir, por vezes, que nunca ouviram falar daquilo. Talvez dali em diante eu entenda melhor as coisas, ou a mim mesma, e diminua sozinha as dores da enxaqueca.

Preciso.

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random: Descansa coração - Fernanda Takai
agora nem sei mais o que querer,
e a noite não tarda a nascer
descansa coração
e bate em paz


10/09: bom dia

Tem dias em que parece que o coração vai até parar, por um motivo ou por outro, tão forte é a batida.
Tem dias em que uma devastação 'preenche' esse espaço que é, ou pelo menos deveria ser, tão sagrado. Tudo é tão diferente no mundo dos sonhos, quando eu vou entender que isso, sim, não é um sonho?

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365 dias de corrosão.

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random: Postcards from Italy - Beirut

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02/08: simplis ancim


Você descobre que vai ficando mais velho e chato quando se esquece mais facilmente do que almoçou ontem. Quando deixa de lado qualquer nesga de condescendência quando, às duas e tanta da manhã, o sujeito passa na rua com a mão colada à buzina, ou mesmo quando o comercial da rádio rima 'contente' com 'diferente', assim, bem deprimente. E também quando adota a velha - e sábia - filosofia de São Tomé pras coisas mais simples, em casa ou no trabalho. Ou quando pensa no telefonema de volta só pra ouvir "ok, cheguei bem, pode ir dormir agora" e sossegar o coração quase-aflito. E eu, que falava tanto dessa mania do meu avô...

Enfim. Ontem, percebi a velhice (seria mesmo velhice?) quando vi o anúncio na Tv de um show de violeiro experiente como algo "simplismente imperdivel". Perderam mais alguma coisa, pensei na hora. Ou fui eu que perdi?

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Desejo urgente de férias - seis meses depois de ter voltado das últimas - também vale?

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random: A hora da estrela - Pato Fu

24/07: Antes tarde...


é hoje!

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"Se não fosse em cima da hora, não seria eu."
(Janaina, por ela mesma)

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Neblina bonita em Londrina. Não fosse pelo atraso de vôo de gente querida, diria que a noite de hoje chega a ser tão significativa quanto as de luar explícito-desafiador.

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(ah)

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random: Rubi - Ludov

05/07: chega de luto


De um lado, a PM acelera o treinamento de homens que vão para as ruas combater assaltantes armados com pistolas - os assaltantes, não os policiais: estes têm cassetetes às mãos. Coisas de colonização inglesa, folks.

De outro, antigas vitrines agora com estruturas de aço e alguns vãos para os que passam e se interessam pela mercadoria, fora do horário comercial. Sem precisar de muita sorte, acham-se dessas antigas vitrines completamente à deriva e o sinal latente de que a insegurança deixou há muito de ser um sentimento abstrato - ou, na análise arguta do secretário de segurança do Paraná, "algo criado pela imprensa".

Conheço gente que foi assaltada três, quatro, cinco vezes. Conheço outro tanto que conhece outras vítimas dessa celeuma criada pelo noticiário malvado, bobo e feio. Ligo o rádio e outra leva se queixa. Na TV, é o pai chorando a morte do filho que perdeu a vida tão jovem e bem ali, na sua frente, dentro de casa. Nos jornais, é a dor da família que vai demorar pra ver sentido no Dia das Mães; afinal, ela foi morta com uma bala 'perdida' enquanto repartia a pizza para os filhos, num domingo à noite. É a bala que está perdida?

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Hoje, em Londrina, comerciantes e representantes da sociedade civil hastearão bandeiras negras contra esse noticiário feioso. Durante uma hora, fecharão as portas ou as abrirão pela metade para mostrar que, bem, algo está errado na cidade-paixão. Preocupada com algo que (me custa crer) seja o propósito do movimento, a Prefeitura alardeou ontem nas raras manifestações da chefia que isso afasta investidores "e também a clientela desses comerciantes", puxa vida. Afinal, o interesse é criar vínculo de paixão, não de amor. E se quem ama, cuida, e se é verdade que a paixão cega, então, eita povo coerente.

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Apesar do desprezo que tenta enfeiá-la, Londrina ainda tem coisas lindas de se ver. Ouvir o pé-vermelho na rua criticando e ansiando por um futuro melhor é um alento - ainda que seja uma queixa baixinha, na proporção com os danos. É uma queixa à moda inglesa, talvez. Que será da cidade daqui 10 anos? "Um lugar mil vezes melhor que muitos outros", grita o político-poliana, ou simples 'apaixonado'.

E ainda dizem que a "política é a arte do possível". Não é possível.

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random: Pace is the trick - Interpol

27/05: mosaico da dúvida - tomo I


De pedreiras a pedregulhos; de pedregulhos a grãos de areia. Um dia, estes resolvem se transformar em tempestades arenosas – e assim a vida segue.

(à espera de brisas marítimas levemente mornas)

Segue entre placas de "perigo: siga adiante" e "por aqui – feche os olhos e sinta-se a salvo", e entre certezas desconstruídas a cada passo (em falso, ou não).

Segue a trilha que indica a consciência tranqüila como fonte de problemas – um dia, fonte de alternativas pro bem comum –; abre as porteiras pra face mais obscura daquilo que, até há um tempo, era idealizado como um dos muitos objetivos de vida.

(convergentes sempre para um único, um único. E complexo.)

Segue o som do coração, com todas as alternâncias que o aquecem ou que o intimidam, embebido das lembranças-que-valem-a-pena, e curioso diante das respostas a tantas perguntas que, pelo que percebo, não devem ser feitas. Ou não deveriam, até que a tempestade de areia se transformasse, enfim, na brisa marítima dos sonhos.

(' será isso é possível? ', ele me pergunta.)

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random: Bem melhor - Moptop